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Internacionalizar ou estagnar: por que as PMEs precisam olhar além das fronteiras

2026-01-07 15:16
Internacionalizar ou estagnar: por que as PMEs precisam olhar além das fronteiras

Durante muito tempo, a internacionalização foi vista como um passo reservado apenas a grandes corporações. Algo distante da realidade das pequenas e médias empresas (PMEs), que supostamente precisariam primeiro “ficar grandes” para, só depois, pensar em cruzar fronteiras. Esse paradigma mudou. Hoje, internacionalizar deixou de ser uma opção aspiracional e passou a ser uma necessidade estratégica para crescimento e competitividade.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais de 70% do crescimento econômico global até 2030 ocorrerá fora da União Europeia. Permanecer restrito ao mercado doméstico significa, portanto, abrir mão de uma parcela relevante das oportunidades futuras de crescimento.

Globalização, digitalização, cadeias produtivas internacionais e comércio eletrônico tornaram o mundo menor — e os mercados locais mais disputados. Para muitas empresas, crescer apenas dentro do próprio país implica competir em ambientes saturados, com margens cada vez menores. Internacionalizar, nesse contexto, passa a ser uma decisão de diversificação de risco, aumento de eficiência e acesso a novos mercados.

Os benefícios da internacionalização vão além do aumento de faturamento. Estudos do Banco Mundial indicam que empresas internacionalizadas são, em média, 34% mais produtivas do que aquelas que atuam exclusivamente em seus mercados de origem. Além disso, dados da McKinsey apontam que empresas com presença internacional consistente apresentam até 40% mais resiliência em períodos de crise econômica.

Apesar dessas vantagens, a internacionalização ainda é cercada de mitos e improvisações. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (WTO), cerca de 50% das iniciativas internacionais de PMEs não sobrevivem aos primeiros três anos, principalmente por falta de planejamento, subestimação de custos e desconhecimento dos mercados de destino.

Internacionalizar não começa com a abertura de uma filial no exterior, mas com planejamento estratégico e preparação interna. Antes de qualquer movimento, é fundamental responder a perguntas essenciais: a empresa possui estrutura financeira adequada? O produto ou serviço é competitivo internacionalmente? A gestão está preparada para operar em ambientes regulatórios e culturais distintos? Qual é o nível de risco aceitável?

A escolha do país de destino é uma das decisões mais críticas desse processo. O melhor mercado não é necessariamente o maior, mas aquele que apresenta o melhor equilíbrio entre oportunidade, viabilidade e risco. Critérios como tamanho e crescimento do mercado, ambiente regulatório, estabilidade econômica, proximidade cultural, custos operacionais e acordos comerciais devem ser analisados de forma estruturada. Dados do Banco Mundial mostram que empresas que iniciam sua expansão por mercados culturalmente próximos têm até 25% mais chances de sucesso nos primeiros anos.

Não existe um único modelo de internacionalização. A estratégia deve estar alinhada ao momento da empresa, ao capital disponível e ao apetite ao risco. Entre as principais formas estão a exportação direta ou indireta, o uso de representantes ou distribuidores locais, o e-commerce internacional, o licenciamento de marcas ou tecnologias, o modelo de franquias, as joint ventures, as fusões e aquisições e o crescimento orgânico por meio da abertura de filiais próprias. Cada alternativa envolve diferentes níveis de investimento, controle e exposição ao risco.

Outro fator crítico para o sucesso internacional está nas pessoas, na cultura e na governança. Segundo a Harvard Business Review, mais de 60% das falhas em operações internacionais estão associadas a problemas de alinhamento cultural, governança inadequada e falhas de comunicação — e não à qualidade do produto ou serviço. Internacionalizar exige adaptação, contratos bem estruturados, compliance e processos claros entre matriz e operação internacional.

Mais do que um evento pontual, a internacionalização deve ser encarada como uma jornada contínua de aprendizado e evolução. Empresas bem-sucedidas começam de forma gradual, testam mercados, ajustam estratégias e escalam suas operações ao longo do tempo.

Para pequenas e médias empresas, internacionalizar não significa perder identidade ou foco. Significa ampliar horizontes, fortalecer o negócio e preparar a organização para um mundo cada vez mais conectado. O mercado já é global. A decisão agora é clara: internacionalizar ou estagnar.

Internacionalizar ou estagnar: por que as PMEs precisam olhar além das fronteiras